RN desacelera exportações e cai no ranking do Nordeste

Carregamento de contêiner para exportação de melão, em Natal: A fruta manteve o crescimento este ano, mas outras caíram
O Rio Grande do Norte está exportando menos pescados, frutas e castanha e deixou de negociar neste ano produtos como mel, etanol e açúcar. O cenário negativo para as exportações, influenciado por fatores como o clima e preços desfavoráveis, não está, porém, restrito a 2013. Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) mostram que o estado registrou a segunda menor variação anual do país nas exportações (0,91%), entre 2002 e 2012, caindo da quinta para a sétima posição no ranking do Nordeste. O RN só ficou na frente da Paraíba, com variação de 0,82%. 
A participação do estado no bolo das exportações nacionais também caiu e alcançou, em agosto deste ano, o menor nível desde 2002, ficando em 0,1%. Em 2002, essa participação estava em 0,74%.

Mas os números mostram que a a retração não é exclusividade do RN. O cenário das exportações de produtos agrícolas na região Nordeste  como um todo é negativo. Dados de janeiro a agosto deste ano apresentam queda em praticamente todos os estados nordestinos, no comparativo com o mesmo período de 2012. Só o Maranhão foi exceção, registrando variação positiva de 14,9%.
Embora de forma global tenha havido queda no comparativo entre 2002 e 2012 na participação da maioria dos estados do Nordeste, para o analista de comércio exterior do Mapa, Carlos Wagner Lins, a tendência é de crescimento, já que a influência nordestina nas exportações brasileiras elevou-se de 8,72% em 2002 para 9,40% em 2011, tendo sofrido uma queda apenas em 2012, para 8,96%.

Causas

Para Carlos Wagner Lins, um dos fatores por trás da desaceleração sofrida em parte dos estados é a seca que atingiu o Nordeste, uma das piores dos últimos 50 anos. A escassez de chuvas provocou quebras de safras de várias culturas locais. Especialmente no caso do complexo sucroalcooleiro, a queda nas exportações pode estar relacionada à queda do preço médio de exportação da cana de açúcar de janeiro a agosto deste ano. O analista acrescenta que o algodão também apresentou quedas, principalmente, devido às reduções de áreas produtoras, ocasionadas, sobretudo, pela retração dos preços nos mercados interno e externo.
“Vários fatores podem ter levado a um baixo crescimento das exportações da Paraíba e do Rio Grande do Norte, nos últimos dez anos, tais como seca, quebra de safra, valorização cambial, aumento de consumo doméstico em detrimento das exportações”, avalia.
As consequências dessa desaceleração, segundo o analista, dependem de uma análise apurada, já que a essa variação podem estar relacionados fatores como a valorização cambial nos últimos dez anos, aumento do consumo de alimentos pelas famílias brasileiras, elevação das vendas nacionais em detrimento das exportações, quebra de safra ou mesmo a queda nos preços das commodities, mercadorias que mantém, até certo ponto, preço universal.
Para Lins, o impacto da desaceleração das exportações nordestinas não é relevante no contexto global brasileiro, visto que elas representam uma fatia pequena do total das exportações nacionais. “Cabe ressaltar que o Mapa tem todo o interesse de aumentar as exportações agrícolas do Nordeste, tendo em vista o grande potencial desses produtos no mercado europeu, americano e asiático”, ressaltou. *Colaborou Renata Moura

Fonte: Tribuna do Norte

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *