Mercado externo volta a pesar e Bolsa brasileira cai 1,5%

As incertezas recentes nos mercados financeiros fizeram os investidores recorrerem à proteção dos títulos de dívida do governo americano, provocando novas turbulências nas Bolsas nesta quinta-feira (8). As ações brasileiras sentiram o baque e recuaram, enquanto o dólar fechou a R$ 3,28.

O Ibovespa, índice dos papéis mais negociados, caiu 1,49%, para 81.532 pontos. O volume financeiro foi de R$ 11,4 bilhões –em fevereiro, a média diária está em R$ 12,3 bilhões.

O dólar comercial subiu 0,12%, para R$ 3,281. O dólar à vista, que fecha mais cedo, avançou 0,70%, para R$ 3,294.

As quedas de sexta (2) e segunda (5) aumentaram a preocupação de investidores e intensificaram a busca por títulos de dívida do governo americano, considerados de baixo risco. O fluxo provocou a valorização dos papéis (as treasuries).

“Temos uma treasury com vencimento em 10 anos saindo de 2% em setembro, pouco depois da penúltima alta dos juros, para 2,85% agora. Isso causa uma realocação de ativos globais”, afirma Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos.

“Enxuga dinheiro das Bolsas, mas não deve levar a uma saída maciça de capital, porque a rentabilidade ainda é baixa, embora praticamente sem risco”, ressaltou.

O fluxo de venda comandou a sessão não só na Bolsa brasileira, mas também na Europa e nos Estados Unidos.

As Bolsas europeias fecharam no vermelho. Londres perdeu 1,49%, Paris caiu 1,98% e Frankfurt fechou com desvalorização de 2,62%. Milão (-2,26%), Madri (-2,21%) e Lisboa (-1,16%) também caíram.

Nos Estados Unidos, os mercados tiveram nova queda. O Dow Jones caiu 4,15%, para 23.860 pontos. Desde o pico, em 26 de janeiro, o índice acumula queda de 10,35%.

A Nasdaq se desvalorizou 3,90%, para 6.777 pontos. E o S&P 500 recuou 3,75%, para 2.581 pontos. Os três zeraram os ganhos no ano novamente.

O VIX, índice de volatilidade implícita do S&P 500, deu novo salto nesta quinta: +20,34%. O VIX representa a volatilidade do mercado acionário.

“Há bons fundamentos para a economia americana que justificassem os recordes batidos pelos índices, mas há espaço para realização. Alguns balanços não vieram tão bons, o que também afetou o mercado”, destacou Suzaki.

Aqui, o vaivém da reforma da Previdência é observado pelos investidores. O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), disse que se não for votada agora, a reforma da Previdência “pode sair em novembro”.

Para Suzaki, o mercado já não conta com a aprovação da reforma desde o fim do ano passado, quando a votação foi adiada para fevereiro deste ano. “Isso ficou claro no comunicado do Banco Central, em que ele não condiciona mais a queda de juros à aprovação da reforma”, afirma.

Na quarta, a autoridade monetária sinalizou o fim do ciclo de queda da taxa Selic, após corte de 0,25 ponto percentual, o que deixou o juro em 6,75% ao ano.

AÇÕES
Dos 64 papéis que compõem o Ibovespa, 57 caíram e somente sete subiram.

As ações preferenciais (+2,81%) e ordinárias (+2,75%) da Eletrobras lideraram as altas do índice. Assembleia de acionistas da estatal discute nesta quinta o modelo de venda das distribuidoras. A Via Varejo subiu 1,65%.

No terreno negativo, as ações da Suzano recuaram 4,88%. A Cielo perdeu 4,25% e a Braskem caiu 4%.

As ações da Petrobras tiveram queda, em meio à desvalorização dos preços do petróleo. A baixa se dá após notícias mostrarem um recorde de produção nos EUA e a reabertura do maior oleoduto do Mar do Norte para operação.

Os papéis preferenciais da estatal caíram 2,01%, para R$ 19,05. As ações ordinárias recuaram 3%, a R$ 20,35.

As ações ordinárias da Vale perderam 0,29%, para R$ 41,59.

No setor financeiro, o Itaú Unibanco teve queda de 0,49%. As ações preferenciais do Bradesco caíram 1,23%, e as ordinárias se desvalorizaram 2,95%. O Banco do Brasil perdeu 3,14%, e as units –conjunto de ações– do Santander Brasil recuaram 0,48%.

CÂMBIO
O dólar se fortaleceu ante 27 das 31 principais moedas do mundo, em meio à expectativa envolvendo aumentos adicionais de juros nos EUA, depois de dados fortes de mercado de trabalho que podem pressionar a inflação no país.

Nesta quinta, o Banco Central vendeu a oferta de 9.500 contratos de swap cambial tradicional (e que equivalem à venda de dólares no mercado futuro), para rolagem do vencimento de março. A autoridade monetária já rolou US$ 1,425 bilhão dos US$ 6,154 bilhões que vencem no mês que vem.

O CDS (credit default swap, termômetro de risco-país) do Brasil avançou 7,12%, para 162,7 pontos.

No mercado de juros futuros, os contratos mais negociados tiveram queda. O contrato com vencimento em abril de 2018 recuou de 6,635% para 6,633%. Já o contrato para janeiro de 2019 caiu de 6,805% para 6,725%.

Folha

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