Biodiesel ganha nova chance no RN

Agricultores do Território do Mato Grande, que reúne assentamentos rurais de 15 municípios do Rio Grande do Norte, se preparam para retomar o plantio de girassol e outras matérias-primas para produção de biodiesel – combustível produzido a base de óleos vegetais e gordura animal – no estado.

A esperança dos assentados, que já plantaram girassol entre 2008 e 2009, mas abandonaram a cultura em 2010 por falta de mercado, reacendeu depois que a Petrobras, principal produtora de biocombustível do país, anunciou que começaria a produzir biodiesel em escala comercial no RN em 2014, e que poderia comprar parte da matéria-prima no estado.

“Tem produtor plantando girassol apenas para alimentar o que restou do rebanho”, observa Marcelo Lira, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (Emparn). 

“O produtor do RN ficou desestimulado e deixou de acreditar na viabilidade da cultura do girassol e da mamona. Isso poderá mudar com esse novo incentivo, com esse novo estímulo”, afirma Luiz Carlos, supervisor substituto de estatísticas agropecuárias do IBGE/RN.

Livânia Frison, que mora no assentamento do Rosário em Ceará Mirim e é sócia da Cooperativa dos Produtores de Canudos, é uma das produtoras que encheu-se de expectativa. No Território do Mato Grande, onde o assentamento está localizado, os assentados já plantam coqueiros, para extrair óleo da palma, e trabalham na instalação de uma unidade de beneficiamento de tilápia, para transformar as vísceras do peixe em matéria-prima para o biodiesel. 

“Já estamos discutindo isso com a Petrobras. Podemos aumentar em quase oito vezes o número de viveiros e a produção de tilápia nos assentamentos dentro de um ano, aumentando também o volume de óleo destinado a produção de biodiesel”, diz ela.

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