Após quatro meses de investigação acerca de concursos realizados pelas
empresas CONCSEL e SOLUÇÕES em municípios do interior do Estado, o
Ministério Público do Rio Grande do Norte desencadeou a Operação “Q.I”,
dando cumprimento a quatro mandados de prisão e nove mandados de busca e
apreensão, expedidos pelo Juízo de Direito da Comarca de Martins,
resultando na prisão de mais três pessoas em razão de flagrantes de
crimes, totalizando sete pessoas presas.

A operação contou com o
apoio da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal, com
diligências de buscas e prisões simultâneas nas cidades de Natal,
Parnamirim, Martins, Mossoró e Severiano Melo, onde 19 Promotores de
Justiça e mais de 120 policiais militares cumpriram as ordens judiciais.

A
investigação iniciou-se na Comarca de Santa Cruz e posteriormente
passou a ser conduzida pela Promotoria de Justiça de Martins juntamente
com o Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado
(GAECO), descortinando uma organização criminosa que atuou na realização
de concursos públicos no interior do Estado e, notadamente, no
município de Martins/RN no mês de outubro deste ano.

adriano abreuOperação QI – mandados são cumpridos na rua afrânio peixoto no bairro de Barro Vermelho

A
quadrilha fraudava os concursos públicos através de acordos ilícitos
para o ingresso de pessoas no serviço público através do pagamento de
“propina” e concessão de outros favores. A investigação comprovou que o
esquema comandado pelos sócios da empresa organizadora de concursos
públicos CONCSEL, aprovam pessoas indicadas por integrantes dos Poderes
Executivo e Legislativo dos municípios ou através do pagamento de
valores direto pelo próprio candidato. Os candidatos assinavam gabaritos
fraudados, preenchidos pela própria organização criminosa em momento
posterior à realização das provas com a marcação de respostas corretas
em número suficiente para a aprovação dos favorecidos.

O modus operandi da quadrilha instalada dentro da CONCSEL, empresa organizadora de concursos públicos pode assim ser resumido:

a)
contato com Prefeitos ou Secretários, com oferta de elaboração de
projetos de lei que determinem a criação de cargos públicos ou
reformulação da estrutura administrativa;

b) contato posterior
para elaboração de editais e demais atos da licitação, oportunidade em
que é acertada a vitória da empresa CONCSEL na licitação em troca de
aprovação de candidatos;

c) conluio com empresas “parceiras” para fraude aos procedimentos licitatórios;

d)
acerto com municípios, através de funcionários do alto escalão,
normalmente secretários de administração ou saúde, procuradores,
prevendo o número de vagas destinadas a pessoas ligadas aos mesmos,
sendo fornecida pelo município lista com o nome dos candidatos a serem
aprovados;

e) acerto com clientes fixos e eventuais, vendendo vagas em troca de dinheiro e outros favores;

f) coleta de assinaturas dos candidatos em gabaritos preenchidos pela quadrilha;

No
concurso público do município de Martins, realizado no último mês de
outubro, vários candidatos foram aprovados em razão dessas fraudes.

Ressalte-se,
desde já, que a investigação contra a empresa CONCSEL CONCURSOS E
SELEÇAO DE PESSOAL LTDA EPP se deveu as suspeitas levantadas contra a
SOLUÇÕES METODOS E SELEÇÃO DE PESSOAL LTDA ME, as quais possuem o mesmo
quadro societário e que já fora alvo de investigações e ações
anteriores, em razão da prática de fraude a licitações.

Além das
fraudes nos concursos públicos, a quadrilha igualmente praticou outros
delitos, como fraudes à licitação, corrupção passiva e tráfico de
influência.

Após o cumprimento das mencionadas ordens judiciais, o
Ministério Público Estadual analisará os documentos apreendidos e, em
tempo hábil, oferecerá denúncia acerca dos fatos delituosos
investigados.
Fonte: MP/RN / Tribuna do Norte

Deixe uma resposta